Lorenzo Rossi, acompanhante: “A pandemia não me atingiu, tenho mais clientes”

Trabalho exclusivamente como acompanhante, quer de forma independente quer através de agências. Tenho clientes fixos em Portugal, em vários países europeus e também nos EUA. Todos exigem sigilo e discrição total e é isso que ofereço. Publico anúncios na internet e escolho apenas sites credíveis, isto é, os que têm forma de verificar a autenticidade das fotos dos anunciantes.

Ao contrário de muita gente, não tenho fotos nem informações falsas. Sou bissexual, assumo isso nos anúncios, e não minto na idade, porque não sou uma personagem. Tenho 30 anos e trabalho nesta área desde os 18, 19. Sou formado em direito e durante oito meses tentei trabalhar em advocacia, mas encontrei um mundo desagradável, em que era necessário ter duas caras. Foi por isso que me afastei.

O meu atendimento é apenas com deslocações e quando chego ao local posso não aceitar o trabalho, tal como o cliente pode não querer. Se não houver empatia, não faz sentido. Antes disso, gosto de fazer um rastreio por telefone, que consiste em falar 15 ou 20 minutos com o possível cliente, até para não estar a lidar com pessoas sem uma certa credibilidade.  

Ser acompanhante de luxo muitas vezes não tem nada a ver com sexo. Os homens podem, por exemplo, procurar uma massagem e um relaxamento, não o acto sexual. Quem paga pelos meus serviços, paga pela minha presença, o sexo é uma coisa que poderá ou não acontecer. 

Alguns dos clientes fixos, já com muita confiança, até podem pegar no telefone e ligar-me, porque se sentem sozinhos, mesmo que sejam casados. Acontece com médicos, por exemplo. É um serviço pago, claro, porque apesar da cumplicidade que temos eles são sempre clientes. Um cliente é um cliente, um amigo é um amigo.  

Em Portugal ainda se confunde o acompanhante de luxo com o prostituto. Não é a mesma coisa. Ultimamente, devido a pandemia, verifico uma grande procura feminina. E de casais também. Em ambos os casos, o que os clientes querem é um bom momento de relaxamento com confidencialidade. Ora, isto não é possível com muitos dos que anunciam na internet com fotos falsas ou poses demasiado explícitas para o gosto dos clientes. Isso para mim é que é prostituição: pouca qualidade, muitos fakes, atendimento rápido e sem empatia e, pior ainda, na casa do próprio prostituto, o que não dá garantia nenhuma de sigilo aos clientes, porque se sabe sempre o que se passa naquele local. 

Cobro 150 euros por uma hora, sem contar com o valor da deslocação, mas os meus serviços nunca duram menos de três horas. Posso acompanhar os clientes em viagens de negócios, até para fora de Portugal. Mesmo com a pandemia, recebo muitos convites nesse sentido. Prefiro não aceitar porque não me quero expor ao vírus. No máximo posso ir a Espanha, não mais do que isso. 

Se tenho receio do coronavírus? Uso máscara e álcool e sei analisar as propostas que me fazem. Se chego a um local e vejo que não existe cuidado por parte das pessoas, não me interessa. Faço os meus testes, sempre fiz, porque sou muito cuidadoso a nível de doenças. Mesmo que haja uma marcação logo a seguir à anterior, nunca vou com a mesma roupa: tenho sempre o cuidado de voltar a casa, tomar banho e mudar de roupa. 

Tenho visto que algumas pessoas ficam reticentes por causa do vírus, noto perfeitamente. Isto está a mexer com o psicológico. Por outro lado, nunca tive tantas mulheres e casais como tenho tido. No caso delas, sinto que se cansam dos maridos, por estarem confinadas, e procuram os meus serviços.

Conheço alguns acompanhantes masculinos portugueses, não muitos, e sei que têm tido uma quebra gigantesca. Alguns acabam por aceitar serviços por preços baixíssimos, incluindo por 20 euros, se o serviço for na casa deles. Posso dizer que a pandemia não me atingiu minimamente. Aliás, tenho mais clientes. Não faço todas as deslocações que solicitam, mas, por exemplo, a agenda dos próximos dias está totalmente preenchida com viagens para fora de Lisboa.

Depoimento recolhido por telefone e editado.
Imagem: Afirmativo (a partir de fotografia cedida pelo entrevistado)

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