Pandemia e sexo comercial: o que se passa pelo mundo (2 a 8 de Fevereiro)

Serra Leoa

  • A pandemia “tornou ainda mais difícil” a vida das prostitutas de rua na Serra Leoa, com os preços a descerem abruptamente: de 7 a 15 dólares por cliente até ao ano passado para um máximo actual de 3 dólares (cerca de 2,50 euros), mostrou uma reportagem da BBC publicada a 8 de Fevereiro.
    Apesar dos riscos de saúde e de segurança, incluindo episódios documentados de sevícias praticadas por clientes, muitas destas profissionais do sexo não podem deixar de trabalhar porque têm filhos para criar e são solteiras, pelo que não contam com a ajuda económica dos maridos, destacou a BBC. A Serra Leoa — país de maioria muçulmana situado na África Ocidental e que recupera ainda da longa guerra civil de 1991 a 2002 — registava em inícios de Fevereiro apenas 79 mortes relacionadas com a covid-19.

Canadá

  • Casos de violência física e sexual contra prostitutas já eram relativamente comuns no Canadá antes do coronavírus (com um estudo de 2014 a apontar um caso por cada cinco mulheres), mas “as coisas pioraram durante a pandemia”, contou a 8 de Fevereiro a versão canadiana do site Refinery29 (publicação dirigida ao público feminino e pertencente ao grupo Vice).
    “A quebra no negócio e o facto de muitas trabalhadoras do sexo não terem direito a apoios do Governo, o que lhes cria problemas económicos, pode levá-las a aceitar clientes sem critério ou a escolher locais mais isolados e mais perigosos”, segundo aquela reportagem.

Coreia do Sul

  • Os anúncios online de serviços sexuais em Seul tiveram um aumento exponencial nos últimos meses devido à imposição de “distanciamento físico” no contexto da covid-19, segundo o diário The Korea Herald. A notícia é de 4 de Fevereiro e dá conta de números divulgados pelas autoridades da capital sul-coreana. Registaram-se mais de 42 mil anúncios de prostituição fora de bordéis, contra 18 mil em 2019. A actividade é ilegal na Coreia do Sul e, de acordo com The Korea Herald, em Seul existe desde 2011 um grupo de monitorização composto por cidadãos e coordenado pelo governo metropolitano para “erradicar” os anúncios de prostituição da internet.

Espanha

  • Prostitutas de rua em Madrid vivem com grandes dificuldades, segundo uma reportagem da TVE emitida a 2 de Fevereiro e partilhada no Twitter. “Como é que se vive se não nos dão qualquer tipo de ajuda?”, perguntou uma das mulheres entrevistadas. “Às primeiras horas da manhã, em plena pandemia, já há mulheres à espera de clientes da prostituição. Dizem-nos que se sentem desprotegidas e abandonadas”, referia a reportagem, que foi feita na principal zona de prostituição de rua da capital espanhola, junto ao bairro Marconi, na cintura industrial da cidade.
    “O que é que havemos de fazer se estamos a morrer de fome?”, relatou outra trabalhadora do sexo, que terá pedido ao Estado o rendimento social de inserção (chamado “Ingreso Mínimo Vital”). “Pedi há sete meses e não respondem”, acrescentou. Uma outra entrevistada contou que apesar de recear o coronavírus continua a trabalhar por causa das responsabilidades para com os filhos.
    A reportagem fez notar que há mais mulheres a começar na prostituição devido à crise provocada pelas restrições da pandemia, embora a procura tenha diminuído.

Tailândia

  • Com diversas regiões em confinamento desde Dezembro, a famosa indústria do sexo da Tailândia está parada e em declínio, noticiou a 3 de Fevereiro a NPR (rádio pública dos EUA). “Em Março e Abril [do ano passado] a Tailândia fechou as fronteiras e cancelou voos comerciais devido à pandemia. A indústria do turismo, a que está ligada a indústria do sexo, colapsou”, segundo a NPR. Na cidade de Pattaya, os bares da zona de prostituição continuam abertos, mas quase sem clientes. Números oficiais indicam que 1,6 milhões de profissionais do sexo saíram das cidades e regressaram às zonas rurais de origem. Até ao início de Fevereiro tinham sido atribuídas 79 mortes à covid-19.

Fotografia: Clay Gilliland (Banguecoque)/CC

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