Pandemia fez aumentar o número de mulheres que vendem pornografia na internet

As mulheres da América Latina são das que mais têm aderido nos meses da pandemia à plataforma Only Fans, que permite a venda de fotografias e vídeos eróticos ou pornográficos. México, Venezuela e República Dominicana contam-se entre os países com mais utilizadores do Only Fans, sejam eles autores dos conteúdos ou clientes da plataforma, escreveu o jornal El País, numa reportagem publicada a 6 de Dezembro.

Além de ser[em] uma porta para o trabalho sexual de muitas raparigas na pandemia, sites como o Only Fans representam uma oportunidade laboral durante a crise sanitária para aquelas que se prostituíam fora da Internet”, relatou a edição brasileira do El País. “Precisamos de reconhecer que este tipo de trabalho permitiu que muitas mulheres sobrevivessem nestes meses”, referiu Livia Motterle, do Centro de Investigação e Estudos de Género da Universidade Nacional Autónoma do México.

A maioria destas plataformas explora as trabalhadoras”, acrescentou a académica, segundo a qual o Only Fans, e outros sites, enriquecem “à custa” das mulheres que aí se expõem, pois ficam com 20% dos lucros.

O Only Fans é uma plataforma de cibersexo e funciona como se de uma rede social se tratasse. Os utilizadores podem seguir determinados perfis ou páginas, mas têm de pagar uma assinatura mensal com um valor relativamente baixo: entre cinco e 10 euros, por exemplo.

A adesão em massa tem acontecido sobretudo nos últimos meses. Esta modalidade de cibersexo é cada vez mais “uma oportunidade de subsistir”, para pessoas impedidas de trabalhar ou cujos rendimentos baixaram muito perante as restrições das autoridades face à covid-19.

Em países como a Venezuela, escreveu o El País, plataformas do estilo Only Fans transformaram-se na saída profissional de emergência para muitas raparigas e mulheres. “Elas estão no Only Fans e publicam perfis com assinaturas mensais de cinco dólares, mas na Venezuela cinco dólares é bastante dinheiro. E elas mesmas se perguntam se vender um nude é prostituição ou não”, afirmou Geórgia Rothe, da organização não-governamental Asuntos del Sur.

Numa outra reportagem, recentemente publicada em Portugal pelo jornal i, uma portuguesa que se dedica a vender vídeos através do Only Fans, declarou: “Ganho muito mais do que o ordenado mínimo, o que me permite ajudar a minha família”.

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