Homossexuais continuam a ser os mais atingidos pelo HIV

Manteve-se em 2019 a tendência de descida no número de novos casos anuais de infecção pelo vírus da sida, uma tendência estatística que acontece desde 2000. No ano passado, foram detectados e comunicados 778 casos, o que significa menos 331 do que em 2018. Apesar da descida, Portugal está longe das médias europeias nesta matéria e a população homossexual continua a ser percentualmente a mais afectada.

Os dados constam do relatório divulgado a 26 de Novembro Infecção VIH e SIDA em Portugal – 2020, produzido pela Direcção-Geral da Saúde (DGS) e pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA). O período em análise vai de 1 de Janeiro a 31 de Dezembro de 2019, e inclui os dados oficiais disponíveis até Junho de 2020 (pelo que pode haver casos de 2019 não contabilizados devido a eventuais atraso na notificação).

Quanto à taxa total de infecções por HIV, é agora de 7,6 por 100 mil habitantes em Portugal (taxa “não ajustada para o atraso da notificação”, segundo a DGS). A mesma taxa na União Europeia, incluindo ainda a Islândia, o Liechtenstein e a Noruega, é de 5,4 (“ajustada para o atraso da notificação”, diz o mais recente relatório do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças, ECDC).

Entre homossexuais e bissexuais, um dos principais grupos com comportamentos de risco, houve no ano passado em Portugal 296 novos casos reportados. Trata-se do valor mais baixo dos últimos anos. No entanto, olhando apenas as percentagens do tipo de população afectada pelo HIV, os homossexuais e bissexuais atingem 38% do total de novos casos em 2019, vários pontos percentuais acima do que vinha sendo hábito. Em 2018 esta população contou 33,6% do total (327 novos casos reportados). Em 2017, 36,6% (391 casos). E em 2016, 35,5% (366).

Sem contar com hipotéticos atrasos na notificação, o número de 296 novos casos pode estar abaixo da realidade, por corresponder apenas a casos diagnosticados e reportados, ou seja, pessoas que tiveram testes de detecção com resultado positivo e cujos médicos inseriram essa informação numa plataforma informática da Direcção-Geral da Saúde (designada Si.Vida). O relatório agora divulgado refere que “as taxas apresentadas para a infecção por VIH representam taxas de diagnóstico e não taxas de incidência”. Ou seja, como sempre acontece, representam casos conhecidos e comunicados pelos médicos, mas não todos os novos casos existentes.

À semelhança do que se observa na maioria dos países do Hemisfério Norte, a epidemia nacional atinge maioritariamente os indivíduos do sexo masculino. Em todos os anos em observação, o número de casos em homens superou o número de casos registados em mulheres”, diz o relatório.

O documento refere-se à pandemia da covid-19 e sugere que, devido a este factor, é possível que os números de 2020, que à partida serão divulgados em Novembro de 2021, venham a sofrer um agravamento.

É antecipável que a repercussão em termos da distribuição de materiais preventivos e informativos, de rastreios e de consultas no âmbito da profilaxia pré-exposição (PrEP) se venha a notar a quando da elaboração do relatório referente aos dados de 2020”, lê-se. “A recuperação de alguma da actividade comprometida por via da pandemia covid-19, nomeadamente a nível dos rastreios e da prevenção, tem de ser priorizada“, acrescenta.

Entre 1983 e 2019, foram diagnosticados em Portugal 61.433 casos de infecção por HIV, dos quais 22.835 atingiram a fase de sida, indica o relatório.

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