EUA: Mortes por HIV desceram 48%

O número de vítimas mortais relacionadas com o vírus da sida desceu para metade nos EUA de 2010 a 2018, noticiou esta semana o diário The New York Times com base em dados divulgados pelos Centers for Disease Control and Prevention (CDC, o equivalente em Portugal à Direcção-Geral da Saúde).

A taxa de “mortes directamente relacionadas com o HIV” (conceito diferente de “pessoas com HIV que morreram por outras causas”) desceu 48,4%, o que significa 4,7 óbitos por mil habitantes em vez da média de 9,1 registada até 2010. Em 2017, por exemplo, houve 5.500 “morte directamente relacionadas com o HIV” nos EUA.

A redução, considerada inesperada, é atribuída à disseminação de medicamentos anti-retrovirais sofisticados, que existem desde meados da década de 1990 e alegadamente são capazes de controlar a evolução da doença. “É extraordinário e muito gratificante que estas terapias se tenham tornado a norma e estejam a ajudar a mudar a vida de muitas pessoas”, comentou a especialista em doenças infecciosas Jeanne Marrazzo, da Universidade do Alabama em Birmingham, citada pelo jornal americano.

No entanto, de acordo Jeanne Marrazzo, a quebra no número de mortes deve-se tanto aos anti-retrovirais como ao investimento público à escala nacional em assistentes sociais, psicólogos e nutricionistas que trabalham directamente com as pessoas infectadas. “Não é só uma questão de medicamentos, é toda a estrutura de apoio que existe, o que nem sempre é reconhecido“, disse.

A tendência de descida era já uma realidade desde 1990 e aprofundou-se a partir de 2012, quando as directrizes oficiais passaram a recomendar que qualquer pessoa portadora do HIV fosse medicada, lê-se na notícia.

Apesar do optimismo, a notícia indica que a redução não é tão expressiva entre as mulheres, a população negra e os toxicodependentes (ou utilizadores de drogas), o que pode relacionar-se com a falta de acesso à informação e de condições socioeconómicas para pagarem cuidados de saúde.

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