Inquérito: metade dos portugueses discorda do Governo na gestão da pandemia

Tem vindo aumentar o número de portugueses que considera pouco ou nada adequadas as decisões do Governo perante a pandemia da covid-19, revela um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública apresentado na quinta-feira (dia 19) em Lisboa.

Segundo o jornal Público, o Barómetro Covid-19 Opinião Social, que quinzenalmente desde Março já inquiriu mais de 182 mil pessoas através da internet, mostra que “a percepção dos portugueses sobre a adequação das medidas tomadas pelo Governo de combate à pandemia está a piorar”. Em fins de Março, apenas cerca de 25% consideravam as medidas pouco ou nada adequadas. Mas agora são já 50%.

Lançado três dias após a declaração do Estado de Emergência, o Barómetro Covid-19 Opinião Social surgiu como um projecto que tinha como objectivo acompanhar as percepções e comportamentos da população em Portugal durante a pandemia da covid-19 e compreender em tempo real o seu impacto na saúde, bem-estar e quotidiano da população”, lê-se no site da Escola Nacional de Saúde Pública.

Quanto à capacidade de resposta dos serviços de saúde à covid-19, cuja percepção pelos portugueses também tem sido medida por este inquérito, a percentagem dos pouco ou nada confiantes está em 40%. Os que desconfiam da resposta dos serviços de saúde aos doentes não-covid está perto dos 70% (numa primeira avaliação deste indicador, em Julho, a percentagem não chegava a 40%).

Também é grande o impacto na saúde mental, com mais de 20% a dizerem que se sentem agitados, tristes ou ansiosos todos os dias ou quase todos os dias”, escreve o Público.

Citada pelo mesmo jornal, Carla Nunes, directora da Escola Nacional de Saúde Pública, comentou que existe uma interligação entre a opinião sobre as medidas do Governo e sobre a incapacidade dos serviços de saúde. “O sentimento é que se não conseguem ir ao médico é porque o Governo não está a decidir bem. São coisas que estão muito relacionadas. O sentimento de que estão a tirar um bem essencial é algo muito forte”, disse.

Carla Nunes apresentou o estudo na quinta-feira, durante uma reunião de cientistas e políticos na sede do Infarmed (Autoridade Nacional do Medicamento), em Lisboa. Estiveram presentes, entre outros, o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa; o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues; o primeiro-ministro, António Costa; e representantes dos partidos políticos com assento parlamentar.

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